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domingo, 29 de janeiro de 2012

Reflexões sobre a caridade

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Antes de tudo, quero pedir licença aos leitores do Blog 3ª Revelação para nesse assunto colocar uma opinião pessoal minha, por esse motivo o conteúdo deste post é de minha inteira responsabilidade e não reflete, necessariamente, a opinião da Doutrina Espírita.

Penso ser relevante divulgar essa reflexão, pois vejo que é muito comum as pessoas se confundirem sobre o que é caridade e como praticá-la. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Allan Kardec define, didaticamente, a caridade em moral e material. A primeira compreende, em resumo, a vivência da moral ensinada por Jesus, ou seja, amar os inimigos, honrar pai e mãe, fazer aos outros o que desejamos que nos seja feito. A caridade material se restringe à beneficência e por isso, como muito bem percebeu Kardec, é a mais fácil de fazer e ainda assim, normalmente, é feita de forma equivocada.

A reflexão que fiz me levou a conclusão, óbvia pra mim, de que toda caridade bem feita, inclusive a chamada caridade material, é antes de tudo caridade moral. Vejamos o motivo: a caridade material, quando feita da forma ideal, é uma consequência inevitável da caridade moral. Podemos colocar um exemplo simples:

Estamos em um restaurante com nossa família e alguém se aproxima e nos pede comida. Se nos colocarmos no lugar dessa pessoa e imaginarmos o que gostaríamos que nos fizessem na mesma situação com certeza isso geraria um sentimento de empatia e piedade que automaticamente nos levaria a dar a ajuda pedida.

Através do exemplo vemos que a caridade moral, quando bem compreendida e feita, leva-nos automaticamente à caridade material, ou seja, o ato ou a ajuda material nada mais é do que uma ação decorrente da caridade moral. A dificuldade da questão está em se fazer a reflexão moral que nos leva a ação, pois o mais comum é darmos a esmola, a comida ou outra coisa apenas com o intuito de nos "livrarmos" da pessoa ou da situação, então nesse caso não existe nem caridade moral nem consequentemente caridade material.

O mesmo princípio nós encontramos na fala de alguns que dizem que como a caridade moral é difícil de fazer eles estão se “exercitando” na material, mas conforme a reflexão que fiz temos das duas uma: ou eles estão fazendo a caridade moral e material juntas e não sabem, ou não estão fazendo nenhuma e ficam se iludindo, pois só existirá verdadeira caridade material quando esta for consequência da caridade moral, já que a caridade moral pode existir sem a caridade material, mas a caridade material sem a caridade moral não é caridade.

Vamos refletir sobre isso? Que tipo de caridade estamos fazendo?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Natal de Jesus

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Toda vez que o Natal retorna, Sua figura é lembrada com maior vigor. Alguns permanecem na tentativa de negar-Lhe a existência, afirmando que tudo é fruto de lenda.

Outros, que na Sua existência acreditam, perdem-se em datas e números, tentando descobrir quando Ele verdadeiramente nasceu.

O que se sabe é que até o século IV, os cristãos do Mundo comemoravam o Seu natalício em diferentes meses e dias, motivo pelo qual a Igreja optou por determinar a data de 24 de dezembro, a fim de que todos os Seus seguidores se unissem para o mesmo evento, como um único coração.

Estranham alguns que tudo que se refira à figura humana do Cristo seja tão obscuro. Não se sabe com exatidão quando e onde nasceu, quase nada se tem a respeito de Sua infância e adolescência.

Mesmo após a Sua morte, não nos legou senão uma tumba vazia, tendo desaparecido Seu corpo, sepultado em lugar ignorado talvez.

Exatamente porque, desde o primeiro dia entre nós Ele, Jesus, insistiu em afirmar que a mensagem é mais importante do que o homem.

Contudo, algo existe em torno do qual ninguém discute, todos se irmanam. Ele legou à Humanidade o mais belo tesouro de todos os tempos: a lição do amor, o amor por excelência que foi.

Desde Seu nascimento na calada da noite à Sua morte infamante na cruz, a Sua foi a vida dos que amam em totalidade.

Por isso mesmo é que não temos as notícias de Jesus no seio de Sua família, convivendo com os Seus. A Sua família era a Humanidade e com ela esteve em Seu messianato.

Amou a multidão e a serviu. Falou de coisas profundas, utilizando figuras e linguagem acessíveis ao povo, que desejava uma mensagem diferente de todas as que ouvira até então.

A Sua voz tinha especial entonação e quando se punha a declamar a poesia dos Céus, extasiava as almas. Os simples O seguiam, os desejosos de aprender e os que ansiavam pelo consolo de suas feridas morais O ouviam atenciosos.

Sua mensagem era dirigida a todos os seres, nos diferentes estágios evolutivos, para as diferentes idades.

Dirigiu-Se à criança, convidou os moços a segui-Lo, arrebanhou homens e mulheres em plena madureza, alentou a velhice.

Sua vida foi um contínuo servir. Ninguém antes Dele e ninguém depois realizou tamanha revolução no campo das ideias, semeando na terra dos corações, em tão pouco tempo.

Menos de três anos...

Sua mensagem, impregnada do perfume de Sua presença, prossegue no mundo, arrebanhando as almas.

Definindo-se como o Caminho, a Verdade e a Vida, Ele é também o consolo dos aflitos, a luz para os que andam em trevas densas, o amparo dos que se sentem desalentados e sós.

Seu nome é Jesus. Sua mensagem é a do amor perene. Seus ditos e Seus feitos constituem os Evangelhos. 

A comemoração do Seu natalício a todos nos motiva a amar, doar e perdoar. E só há Natal porque Ele veio para os Seus irmãos, para nós e nos legou a mensagem Divina que fala de paz, de harmonia e de belezas espirituais.

*   *   *

Aproveitemos os dias do Natal que estamos vivendo para meditar a respeito dos ensinos de Jesus.

Aproveitemos mais: coloquemos em prática ao menos alguns deles.

E entre os presentes e mimos que distribuiremos em nome Dele, não nos esqueçamos de colocar uma parcela do nosso coração.

Não esqueçamos: é Natal.



Fonte: Redação do Momento Espírita









sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Verdadeira Pureza


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“Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração”. – Allan Kardec

Em um mundo regido pelo materialismo e a superficialidade não é de espantar que os valores estejam equivocados. Nem mesmo os religiosos, em sua maioria, se importam em cultivar a pureza verdadeira, mas preferem cultivar o exterior adotando máscaras e práticas exteriores que nada têm com a verdadeira pureza.

Como diz Kardec, “a verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal”. Obviamente não pretendemos aqui pregar um padrão de pureza e perfeição que esteja além da capacidade da humanidade, mas chamar a atenção para o esforço de melhoramento pessoal que cada um deve fazer dentro de sua capacidade.

A verdadeira pureza nada tem com aparências, daí Kardec ter dito que “A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade”, ou seja, ela é sincera e dispensa máscaras, pois é humilde, já que as aparências são frutos do orgulho. O fingir que esta tudo bem, o sorrir com vontade de chorar, os relacionamentos antipáticos onde socialmente se apresentam fraternos, todas essas situações e muitas outras nos mostram como ainda devemos investir em nosso melhoramento real e não aparente.

“Em tudo o que você fizer, seja sempre humilde, guardando zelosamente a pureza de seu coração e a pureza de seu corpo”. - Padre Pio de Pietrelcina”

domingo, 28 de agosto de 2011

A Ação de Deus


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Linda era uma modelo famosa. Requisitada e disputada, conseguia contratos milionários. Apesar do dinheiro, da fama e da beleza, ela não era feliz.


Sentia um imenso vazio por dentro. Sofria de pavor, ansiedade e insônia. Pensou em tomar medicamentos. Alguns amigos aprovaram, outros não.


Ela decidiu procurar outras terapias. Assinou contratos que jamais havia sonhado. Trabalhava muito, mas continuava atormentada.


Um dia, pela manhã, indo de carro para o trabalho, pelo caminho costumeiro, o trânsito parou. Um guarda estava desviando todo o trânsito para uma ruazinha estreita, porque um encanamento havia rompido na avenida principal.


Dirigindo lentamente pela rua desconhecida, ela passou em frente a uma igreja. Um cartaz, escrito à mão, dizia: “Sem Deus não há paz. Conheça Deus, conheça a paz. Todos são bem-vindos”.


Ela achou estranho e seguiu em frente. No dia seguinte, fazendo o mesmo trajeto, o trânsito parou. Um incêndio em uma loja fez com que, outra vez, o trânsito fosse desviado por aquela mesma ruazinha.


“De novo!”, pensou Linda. E passou outra vez pela igreja. Lá estava o cartaz, que agora lhe pareceu atraente.


De dentro do carro, espiou o interior da igreja.


No terceiro dia, ela pensou em mudar de trajeto. Mas achou que estava sendo muito boba. Afinal, qual era a probabilidade de, em três dias seguidos, acontecer o desvio do trânsito, no mesmo local?


“Vai ser um teste”, pensou. “Se acontecer alguma coisa e o trânsito for desviado, vou ter certeza de que é um sinal”.


Quando ela chegou na avenida, lá estavam os policiais outra vez. “Um grande acidente”, explicou um dos policiais, desviando o trânsito, para a já conhecida ruazinha.


“É demais”, falou Linda, consigo mesma. Estacionou o carro e entrou na igreja. Lá dentro, havia apenas um padre. Ele ergueu os olhos, olhou para ela com um sorriso e perguntou:


“Por que demorou tanto?” – Ele havia visto o carro de Linda passar ali nos três dias. Eles conversaram muito e como resultado, Linda passou a freqüentar a pequena igreja.


Encontrou a paz e a serenidade que estava esperando. Exatamente como dizia o cartaz. Ela precisava de Deus na sua vida. E, sem dúvida, fora Deus que providenciara para que, de alguma forma, entendesse que ela precisava voltar-se para Ele, alimentar o seu espírito com a fé, a esperança e o amor. 

********

A Providência Divina sempre se faz presente em nossas vidas. Ocorre que, nem sempre, estamos de olhos e ouvidos atentos para perceber e entender.


Filhos bem-amados do Criador, não podemos esquecer de buscar o amparo desse Pai amoroso e bom, para que Nele encontremos o nosso refúgio seguro.


Muitos O procuram nas igrejas, nos templos. Outros, nos livros. Alguns tentam o coração do próximo para ver se ali descobrem Deus.


Em verdade, muitos são os caminhos, mas o encontro verdadeiro se dá portas adentro do nosso coração.



Texto do site Momento Espírita

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Na Luz da Reencarnação


O caminho de luz que é a reencarnação explicada através do Espiritismo

Trazes hoje as vísceras doentes, compelindo-te aos aborrecimentos de incessante medicação.

Elas, porém, se fizeram assim, à força de suportarem ontem os teus próprios abusos nos venenos da mesa.

Trazes hoje o corpo mutilado, obrigando-te a movimentos de sacrifício.

Tens, no entanto, o carro físico desse modo por lhe haveres gasto, ontem, esse ou aquele recurso em corridas à delinqüência.

Trazes hoje o cérebro hebetado, dificultando-te as expressões.

Mas, isso acontece porque, ontem, mergulhavas a própria cabeça em clima de trevas.

Trazes hoje a carência material por sentinela de cada dia.

Contudo, ontem atolavas o coração no supérfluo, articulado com o pranto dos infelizes.

Trazes hoje, na própria casa, a presença de certos familiares que te acompanham à feição de verdugos.

Entretanto, são eles credores de ontem, que surgem, no tempo, pedindo contas.

Todos somos capazes de fazer o melhor, porquanto, pelas tentações e provas de hoje, podemos avaliar o ponto de trabalho em que a vida nos impele a sanar os erros do passado, clareando o futuro.

Perfeição é a meta.

Reencarnação é o caminho.

E toda falha, na direção de obra perfeita, exige naturalmente corrigenda e recomeço.


Fonte: Livro "Justiça Divina" psicografia de Francisco Cândido Xavier.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Esforço Próprio

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“Não é com as leis que se decreta a caridade e a fraternidade; se elas não estão no coração, o egoísmo as sufocará sempre [...].” – Allan Kardec1

O ser humano, embora o progresso já realizado, ainda muito se utiliza de diversas artimanhas para fugir ao compromisso de trazer o Reino de Deus à Terra. Criou-se uma cultura de esperar que “caia do céu”, de esperar que o outro faça quando esse dever é de cada um. Vemos religiosos que, para fugirem ao compromisso da fundação do Reino de Deus na Terra, se prendem dentro do seu sectarismo ansiando pela mudança mágica para paraíso fictício esperando por uma premiação que muitas vezes não fez por merecer. Outros acreditam que simples rituais podem levá-los ao paraíso eterno que nada fizeram por merecer. Até mesmo alguns espíritas falam muito em período de transição, mas o que estão fazendo para que essa transição de fato ocorra? Estão na vanguarda da mudança interior para melhor ou caminharão como bois tangidos pela força das circunstâncias? Esperam realmente desfrutar dos louros do esforço de outrem? Pois não irão, a Lei de Deus é a lei do “a cada um segundo suas obras”2.

A mudança real e coletiva do planeta para melhor passa pela mudança individual de cada um, é com cada um fazendo sua parte que realmente a mudança acontece. Culpar as autoridades, o vizinho, a família ou Deus não são argumentos plausíveis, pois cada um presta contas à própria consciência e esta só cobrará aquilo que dependia de você realizar. Kardec foi muito sábio quando disse que as leis não decretam a caridade e a fraternidade, pois estas devem vir de dentro do homem para fora e não de fora, através de leis, para dentro, pois o que vem de fora cuida da aparência, mas não da essência e assim a essência egoísta as sufocará. Não adianta esperar que as mudanças partam do exterior, pois este não nos mudará, a mudança real parte de dentro, pois “o Reino de Deus está dentro de vós.”3

Dessa forma meus irmãos, não caiam na ilusão de esperar que as mudanças partam de outras pessoas, pois cada um receberá e será cobrado segundo suas obras e a mudança do todo depende de cada uma de suas partes, de cada um de nós. Fazer da Terra um lugar melhor é obrigação nossa, não esperemos que outros o façam, pois para ela voltaremos e colheremos os frutos do que tivermos plantado.


Referências:
1. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXV, ítem 8.
2. Romanos 2:6.
3. Lucas 17:20-21.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quitação

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Todas as contas a resgatar pedem relação direta entre credores e devedores.


É por isso que te vês, freqüentemente, na Terra, diante daqueles a quem deves algo.


No lar ou nas linhas que o margeiam, é fácil reconhecê-los, quando entregas desinteresse e dedicação, recolhendo aspereza e indiferença.


Muitas vezes, trazem nomes queridos no recinto doméstico, e assemelham-se a impassíveis verdugos, apresando-te o coração nas grades do sofrimento.


Em muitos lances da estrada, são amigos a quem te dás, sem reserva, e que te arrastam a dificuldades de longo curso.


Em várias ocasiões, são pessoas das quais enxugaste as lágrimas, situando-as na intimidade da própria vida, e que, de inesperado, te agridem a confiança com as pedras do desapreço.


Noutras circunstâncias, são companheiros de experiência que, de súbito, se transformaram em adversários gratuitos de teu caminho, hostilizando-te, em toda parte.


Entretanto, se defrontado por semelhantes problemas, é indispensável te municies de amor e paciência, tolerância e serenidade, para desfazeres a trama da incompreensão.


Guarda a consciência no dever lealmente cumprido e, haja o que houver, releva os golpes com que te firam, ofertando-lhes o melhor sentimento, a melhor idéia, a melhor palavra e a melhor atitude.


Água cristalina, pingando, gota a gota, converte o vaso de vinagre em vaso de água pura.


E, se depois de todos os teus gestos de fraternidade e benevolência, ainda te perseguem ou te injuriam, abençoa-os em prece e continua, adiante, fiel a ti mesmo, na certeza de que humildade, na hora de crise, é nota de quitação.
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Emmanuel através da psicografia de Francisco Cândido Xavier no livro “Justiça Divina” disponível para download no seguinte link: http://virou.gr/jmiefB


terça-feira, 31 de maio de 2011

O Objetivo do Espiritismo

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“Se o Espiritismo, conforme foi anunciado, tem que determinar a transformação da Humanidade, claro é que esse efeito ele só poderá produzir melhorando as massas, o que se verificará gradualmente, pouco a pouco, em conseqüência do aperfeiçoamento dos indivíduos. Que importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não faz que aquele que a tem se torne melhor, mais benigno e indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e paciente na adversidade? De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se se conserva cheio de si; ao invejoso, se permanece dominado pela inveja? Assim, poderiam todos os homens acreditar nas manifestações dos Espíritos e a Humanidade ficar estacionária.(...)" - (Allan Kardec - O Livro dos Médiuns)


Amigos, venho trazer-lhes uma pequena reflexão sobre o objetivo do Espiritismo e sobre como nós estamos vivenciando as grandes revelações que essa admirável Doutrina nos trouxe.


O objetivo do Espiritismo é o melhoramento da humanidade através da moralização realizada por meio da compreensão dos princípios básicos da Doutrina e vivência dos princípios evangélicos ensinados por Jesus. Desse modo o conhecimento pelo conhecimento não tem valor nenhum se não for acompanhado de uma mudança real de conduta, porém infelizmente muitos companheiros de ideal espírita ainda se prendem mais ao acúmulo de conhecimento de forma estéril.


Devemos, antes de tudo, dividir o conhecimento espírita em dois grandes grupos que são os conhecimentos principais e os conhecimentos acessórios. Os conhecimentos principais decorrem dos princípios básicos da Doutrina e das Leis Morais, são eles que de fato esclarecem e estimulam uma verdadeira mudança de conduta. Os conhecimentos acessórios são apenas ilustrativos, sem nenhum grande impacto sobre a moral das pessoas e por isso deveriam ficar em segundo plano, mas não é o que acontece. O que vemos de debates sobre aeróbus, alimentação dos espíritos, colônias espirituais e outras coisas é uma grandiosidade, o problema é a real utilidade desses debates, em que esses elementos podem importar para nós? Não vejo nenhuma utilidade além de satisfazer uma vã curiosidade. Se a simples crença em qualquer dos princípios da Doutrina não muda ninguém, o que dizer então dos debates sobre questões absolutamente secundárias? Que nos empenhemos em aplicar esses conhecimentos em nossas vidas e isso sim será de real utilidade para nós e para a humanidade.


O Espiritismo não necessita desse tipo de debate onde apenas se busca a glória de mostrar quem sabe mais sobre coisa alguma, o que a Doutrina pede de nós é a vivência dos seus princípios de modo a nos melhorarmos como pessoas e espíritos imortais servindo então de exemplo aos companheiros que convivem conosco e assim sendo o “sal da Terra e a luz do mundo” a que se referiu Jesus. Que essa breve reflexão ajude-nos a buscar sempre vivermos consoante o objetivo do Espiritismo evitando sempre tudo que não nos ajude a progredir.


Um grande abraço a todos e que Jesus nos abençoe e inspire sempre!


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Reflexão sobre o Orgulho e a Parábola do Filho Pródigo

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Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. - Lucas 15:11-21

Durante o período da semana santa, em meio a muitas reflexões, me peguei pensando sobre a parábola do filho pródigo de uma forma diferente e focando em um aspecto que passa muitas vezes despercebido para a maioria das pessoas.


Diversas escolhas que fazemos na vida se mostram depois erros enormes, mas condignos com nosso estado de evolução espiritual. Errar é ainda uma constante para nós e por isso uma enorme fonte de aprendizado, mas entre o erro e o aprendizado existem certas etapas que muitas vezes não cumprimos e buscamos pular, isso quando não permanecemos no erro por orgulho.


É nesse ponto em que chamo atenção para a parábola, muitas vezes tomamos caminhos errados inebriados pelas alegrias que esperamos, mas quando o erro se evidencia e nos vemos frente a frente com nossas misérias é difícil lembrarmos de nossa filiação Divina e é aí que podemos passar muito tempo nos contentando com a comida dos porcos que passamos a achar que é o melhor que o mundo pode oferecer ou que é o que nós merecemos por conta da culpa, as vezes por vergonha e orgulho de fazermos o caminho de volta para nós mesmos, encararmos nossos erros e retomarmos parte no banquete da vida que Deus nos reserva.


Faz-se necessário que façamos esse caminho de volta o mais rápido possível, superando o orgulho e a culpa, encarando nossos erros de frente e reconhecendo nossa condição humana ainda falível, mas também nossa condição de filhos de Deus destinados à felicidade que depende apenas de nós alcançar.


Assim meus amigos lembro da importância de após o erro fazermos esse caminho de volta para o banquete da vida, abandonarmos a lavagem dos porcos, reconhecermos o erro aprendendo com ele e voltarmos à vida plena e rica de experiências sem nenhuma culpa, mas mais conscientes de buscarmos sempre fazermos escolhas melhores que nos mantenham no caminho certo que é aquele que seguimos cumprindo as Leis de Deus.


Palavras-chave: filho pródigo, orgulho, erro, culpa, felicidade.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Educando Nossos Filhos


Aquele que experimenta a ventura da maternidade ou da paternidade, que tem a alegria incontida de um filho, vindo pelos caminhos biológicos ou pelos caminhos do coração, nunca mais será o mesmo.

Não nos referimos àqueles que simplesmente possibilitam o nascimento, oferecendo seu material genético ou o corpo para o desenvolvimento do feto. Esses não são os que chamamos de pai ou de mãe.

Falamos daqueles que se envolvem até as entranhas da alma, em nome da vida daquele a quem têm a responsabilidade de criar. E não é tarefa fácil.

São as preocupações iniciais da saúde, do corpo ainda frágil se desenvolvendo, começando sua jornada na Terra. O leite materno, a comida balanceada, as vacinas, as noites insones.

Logo mais se sucedem outras preocupações. São os primeiros tombos, as mordidas e brigas na escola, as aulas, tarefas. E, rapidamente vão crescendo. E junto surgem outras e novas necessidades e preocupações.

Depressa chega a adolescência com seus desafios. As dores das primeiras desilusões sentimentais, a decisão do futuro profissional, a inserção no mercado de trabalho, a independência financeira, enfim, tantas preocupações...

Porém, no meio de tantos desafios, há que se perguntar: O que é mais importante para educar um filho?
Alguns talvez respondam que o mais importante é oferecer a ele uma excelente instrução, os melhores colégios, permitir-lhe bons desafios intelectuais.

Outros possivelmente digam ser importante mostrar-lhe as coisas da vida. Dar-lhe noção do mundo, suas armadilhas, a vida de relação, as responsabilidades.

Talvez ainda haja os que digam ser o mais importante dar-lhe noções de religiosidade, fazê-lo entender Deus, não importando como esse Deus se denomine.

Mas infundir-lhe o entendimento do Pai, da nossa relação com Ele e com nosso próximo.

É verdade que nada disso está errado. Todas essas ferramentas estão corretas, e devemos dedicar esforços para oferecê-las aos nossos filhos.

Porém, ao educá-los, haverá uma ferramenta muito mais importante e que deve acompanhar todas as outras: o amor.

Educar um filho é tarefa que, para ser bem sucedida, não dispensa a companhia do amor.

Não desse amor que se fala, mas do amor que age. Do amor paciência, do amor abnegação, do amor companheirismo, amor amizade... Indispensável.

Educar um filho somente oferecendo o que o mundo tem de melhor é instruí-lo, é dar-lhe a formação do cidadão.

Porém, se desejarmos educar nosso filho formando-lhe o caráter, alimentando-lhe a alma que está escondida além da forma física, é indispensável e insubstituível o amor.

Desta forma, procuremos amar nosso filho e externemos nosso amor de forma que ele o possa perceber.
Digamos-lhe o quanto o amamos. Olhemos nos seus olhos para buscar sua alma e entendê-lo.

Compreendamos que ele também é um Espírito imortal, cheio de dificuldades e dúvidas, e que conta conosco.

Assim, ele será alimentado, não só pela excelente formação intelectual que lhe oportunizemos mas, muito melhor que isso, terá alimentado o coração, tornando-se forte para enfrentar a existência e seus desafios.

Todo aquele que se sente amado em profundidade, supera os dramas, erros e tropeços com os quais, porventura, venha a se envolver nos caminhos da vida, buscando com mais facilidade o caminho do bem e da felicidade.

Redação do Momento Espírita.
Em 08.04.2011.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Espiritismo: O carnaval Sob a Ótica Espiritual

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Após ter trazido um programa onde Divaldo Franco fala sobre o carnaval na visão espírita, resolvi trazer também este texto da Revista Visão Espírita onde é realizada uma abordagem do tema carnaval sob a ótica espiritual fundamentada na Doutrina Espírita. Espero que o texto possa lhe propiciar boas reflexões. Um forte abraço!
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“Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu...”. – Caetano Veloso
“Atrás do trio elétrico também vai quem já “morreu”...”.

Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval.


O Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval.

Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis. Se antes de compor sua famosa canção o filho de Dona Canô tivesse conhecido o livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ditado ao médium Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, talvez fizesse uma letra diferente e, sensível como o poeta que é, cuidaria de exortar os foliões “pipoca” e aqueles que engrossam os blocos a cada ano contra os excessos de toda ordem. Mas como o tempo é o senhor de todo entendimento, hoje Caetano é um dos muitos artistas que pregam a paz no Carnaval, denunciando, do alto do trio elétrico, as manifestações de violência que consegue flagrar na multidão.

No livro citado, Manoel Philomeno, que quando encarnado desempenhou atividades médicas e espiritistas em Salvador, relata episódios protagonizados pelo venerando Espírito Bezerra de Menezes, na condução de equipes socorristas junto a encarnados em desequilíbrios.

Philomeno registra, dentre outros pontos de relevante interesse, o encontro com um certo sambista desencarnado, o qual não é difícil identificar como Noel Rosa, o poeta do bairro boêmio de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, muito a propósito, integrava uma dessas equipes socorristas encarregadas de prestar atendimento espiritual durante os dias de Carnaval.

Interessado em colher informações para a aprendizagem própria (e nossa também!), Philomeno inquiriu Noel sobre como este conciliava sua anterior condição de “sambista vinculado às ações do Carnaval com a atual, longe do bulício festivo, em trabalhos de socorro ao próximo”. Com tranqüilidade, o autor de “Camisa listrada” respondeu que em suas canções traduzia as dores e aspirações do povo, relatando os dramas, angústias e tragédias amorosas do submundo carioca, mas compreendeu seu fracasso ao desencarnar, despertando “sob maior soma de amarguras, com fortes vinculações aos ambientes sórdidos, pelos quais transitara em largas aflições”.

No entanto, a obra musical de Noel Rosa cativara tantos corações que os bons sentimentos despertados nas pessoas atuaram em seu favor no plano espiritual; “Embora eu não fosse um herói, nem mesmo um homem que se desincumbira corretamente do dever, minha memória gerou simpatias e a mensagem das músicas provocou amizades, graças a cujo recurso fui alcançado pela Misericórdia Divina, que me recambiou para outros sítios de tratamento e renovação, onde despertei para realidades novas”.

Como acontece com todo espírito calceta que por fim se rende aos imperativos das sábias leis, Noel conseguiu, pois, descobrir “que é sempre tempo de recomeçar e de agir” e assim ele iniciou a composição de novos sambas, “ao compasso do bem, com as melodias da esperança e os ritmos da paz, numa Vila de amor infinito...”.

Entre os anos 60 e 70, Noel Rosa integrava a plêiade de espíritos que ditaram ao médium, jornalista e escritor espírita Jorge Rizzini a série de composições que resultou em dois discos e apresentações em festivais de músicas mediúnicas em São Paulo.

O entendimento do Poeta da Vila quanto às ebulições momescas, é claro, também mudou:
- “O Carnaval para mim, é passado de dor e a caridade hoje, é-me festa de todo, dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio”.

A carne nada vale:

O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra.

Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade. A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.

Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.

Bezerra cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, “sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira silaba de cada palavra compõe o verbete carnaval”.

Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo, a matéria, como inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento.

Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm, em verdade, a necessária compreensão da vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.

Processo de loucura e obsessão:

As pessoas que se animam para a festa carnavalesca e fazem preparativos organizando fantasias e demais apetrechos para o que consideram um simples e sadio aproveitamento das alegrias e dos prazeres da vida, não imaginam que, muitas vezes, estão sendo inspiradas por entidades vinculadas às sombras. Tais espíritos, como informa Manoel Philomeno, buscam vitimas em potencial “para alijá-las do equilíbrio, dando inicio a processos nefandos de obsessões demoradas”.

Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.

Esse processo sutil de aliciamento esclarece o autor espiritual, dá-se durante o sono, quando os encarnados, desprendidos parcialmente do corpo físico, fazem incursões às regiões de baixo teor vibratório, próprias das entidades vinculadas às tramas de desespero e loucura. Os homens que assim procedem não o fazem simplesmente atendendo aos apelos magnéticos que atrai os espíritos desequilibrados e desses seres, mas porque a eles se ligam pelo pensamento, “em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo”. Ou seja, as tendências de cada um, e a correspondente impotência ou apatia em vencê-las, são o imã que atrai os espíritos desequilibrados e fomentadores do desequilíbrio, o qual, em suma, não existiria se os homens se mantivessem no firme propósito de educar as paixões instintivas que os animalizam.

Há dois mil anos. Tal situação não difere muito dos episódios de possessão demoníaca aos quais o Mestre Jesus era chamado a atender, promovendo as curas “milagrosas” de que se ocupam os evangelhos. Atualmente, temos, graças ao Espiritismo, a explicação das causas e conseqüências desses fatos, desde que Allan Kardec fora convocado à tarefa de codificar a Doutrina dos Espíritos. Conforme configurado na primeira obra da Codificação – O Livro dos Espíritos -, estamos, na Terra, quase que sob a direção das entidades invisíveis: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?”, pergunta o Codificador, para ser informado de que “a esse respeito sua (dos espíritos) influência é maior do que credes porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”. Pode parecer assustador, ainda mais que se se tem os espíritos ainda inferiorizados à conta de demônios.

Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando, como já dito, sintonizamos na mesma freqüência de pensamento, também obtemos, pelo mesmo processo, o concurso dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus. Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada. Esta última é a característica de espíritos como Bezerra de Menezes, que em sua última encarnação fora alcunhado de “o médico dos pobres” e hoje é reverenciado no meio espírita como “o apóstolo da caridade no Brasil”.


Fonte: Revista Visão Espírita.
Palavras-chave: carnaval, espiritismo, doutrina espírita, Manoel Philomeno de Miranda.