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terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Momento da Morte e o Desencarne


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Muito comum, mesmo entre os espíritas, que se faça confusão entre os termos morte e desencarne, porém os termos possuem sentidos diferentes e a compreensão deles nos ajudará a esclarecer um assunto muito importante: o que acontece com o Espírito no momento da morte do corpo? Ela é dolorosa? É igual para todos? É a todas essas perguntas que tentaremos esclarecer neste artigo.

Para ajudar a esclarecer esse assunto tão fascinante é preciso, antes de tudo, conhecermos o significado dos termos morte e desencarne para o Espiritismo.

  • A morte é o fim da vida do corpo físico, ocorre quando o corpo, natural ou forçadamente, não tem mais condições de se manter vivo.
  • O desencarne é o processo de desligamento do Espírito, e seu corpo espiritual ou perispírito, do corpo físico.


Ao reencarnar o Espírito se une ao corpo físico através de seu perispírito molécula a molécula, no desencarne esse processo é invertido e o Espírito se desligará do corpo também molécula a molécula. A esse respeito Kardec escreveu que “o fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo”1. É importante ressaltar o fato de que morte e desencarne acontecem, normalmente, em momentos distintos e é isso que veremos agora com mais detalhes.

Kardec generaliza os diferentes “tipos” de desencarne quanto ao momento em que se dão e conseqüentemente quanto à facilidade ou dificuldade do processo. Os exemplos devem ser entendidos como casos extremos e, portanto, existem muitas variações entre um tipo e outro. Essa generalização foi feita em quatro grandes grupos que são:

  • “Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.

  • Se nesse momento a coesão dos dois elementos (os dois corpos espiritual e carnal) estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.

  • Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.

  • Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contacto entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça”2.


Após esses oportunos esclarecimentos sobre os diferentes processos de desencarne, Kardec finaliza dizendo que “daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente, que, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável”3.

Mas então o que gera essa força “adesiva” que torna o corpo espiritual mais ligado ao corpo carnal e, por conseqüência, mais difícil e penoso o seu desligamento para o Espírito? Kardec mais uma vez vem nos esclarecer quando responde que “o estado moral da alma é a causa principal que influi sobre a maior ou menor facilidade do desligamento. A afinidade entre o corpo e o perispírito está em razão do apego do Espírito à matéria; está em seu máximo no homem cujas preocupações todas se concentram na vida e nos gozos materiais; ela é quase nula naquele cuja alma depurada está identificada por antecipação com a vida espiritual. Uma vez que a lentidão e a dificuldade da separação estão em razão do grau de depuração e de desmaterialização da alma, depende de cada um tornar essa passagem mais ou menos fácil ou penosa, agradável ou dolorosa”4.

Fica agora fácil entender que os fenômenos da morte e do desligamento do Espírito em relação ao corpo (desencarne) ocorrem, de modo geral, em momentos distintos podendo ser essa diferença de tempo em horas, dias, meses e mesmo anos. O que também nos chama a atenção é o fato de depender de cada um tornar esse momento mais fácil e agradável ou mais penoso e doloroso. A vida plenamente material onde se busca tudo que a matéria oferece como gozos e posses é aquela que dará mais dificuldade ao Espírito na hora do desencarne. Aquele que vive conforme a moral do Evangelho, dando importância relativa às coisas materiais, reconhecendo seu valor, mas não vivendo em função disso e principalmente reconhecendo e aceitando os Desígnios Divinos acima de qualquer revolta, esse sim terá uma passagem tranqüila e fácil quando chegar sua hora.

Existe um outro fenômeno que possui relação direta com a moral do indivíduo e que começa a acontecer imediatamente após a morte do corpo, é o fenômeno da perturbação espiritual. Como nos esclarece Kardec a esse respeito “[...] nesse momento a alma sente um entorpecimento que paralisa, momentaneamente, as suas faculdades e neutraliza, pelo menos em parte, as sensações; está, por assim dizer, cataleptizada, de sorte que quase nunca testemunha consciente o último suspiro. [...] A perturbação pode, pois, ser considerada como estado normal no instante da morte; a sua duração é indeterminada; varia de algumas horas a alguns anos. À medida que ela se dissipa, a alma está na situação do homem que sai de um sono profundo; as idéias estão confusas, vagas e incertas; vê-se como através de um nevoeiro; pouco a pouco a visão se ilumina, a memória retorna e ela se reconhece. Mas esse despertar é bem diferente, segundo os indivíduos; nuns é calmo e proporciona uma sensação deliciosa; noutros, é cheio de terror e ansiedade, e produz o efeito de um horrível pesadelo ”5.

Assim fica mais uma vez clara a importância de uma vida reta, onde impere a moral do Evangelho de Jesus e onde cada um se esforce para ser cada dia melhor que no dia anterior. Para fechar a questão trago mais uma citação de Kardec onde ele fecha o assunto com muita clareza e objetividade:

“O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos pressa em afirmar que esse estado não é geral, porquanto a intensidade e duração do sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente; é como se um fruto maduro se desprendesse do seu caule, e é o caso das mortes calmas, de pacífico despertar”6.


Referências:
 
1.                  Kardec, Allan. O céu e o inferno. 2ª parte, cap. 1, item 4.
2.                  Idem. Ibidem, item 5.
3.                  Idem. Ibidem.
4.                  Idem. Ibidem, item 8.
5.                  Idem. Ibidem, item 6.
6.                  Idem. Ibidem, item 7.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mundo Espiritual: Justiça e Características

Imagem do Filme Nosso Lar.
Colônia Nosso Lar - Descrita no Livro de mesmo nome.

Imagem do Filme Nosso Lar.
Umbral - Região de entrada no Mundo Espiritual com áreas de sofrimento como essa, onde espíritos inferiores ficam por sintonia. Ps. Nem Todo Umbral é assim, cada um tem a região de entreda conforme seu nível evolutivo.

 Uma questão que sempre acompanhou a humanidade era a existência ou não de vida após a morte. Todas as religiões falam dela, mas nunca foram além disso e como cada uma a pintava de uma forma diferente criou-se mais dúvida que convicção nas pessoas. Na metade do século XIX essa realidade mudou de forma definitiva, a Doutrina Espírita não só falava dessa outra vida, mas fornecia provas irrecusáveis fornecidas pelos próprios habitantes deste outro mundo: os espíritos. Muitos pensam que a Doutrina Espírita criou os espíritos, a mediunidade e o mundo espiritual, porém enganam-se já que foram os próprios espíritos que vieram falar de sua existência, da possibilidade de conversarem conosco e da vida deles no mundo espiritual. Mas então surge uma questão: como é esse mundo?

Segundo os próprios espíritos o mundo espiritual é o mundo primitivo, é a nossa casa de verdade e isso tem uma importância fundamental. Nós somos espíritos usando corpos humanos e não corpos com um espírito como é comum ouvirmos alguém falar: “meu espírito”. Ora eu sou um espírito, logo não tenho um, o que tenho é um corpo cujo qual utilizo para cumprir minha missão na Terra. Feito esse esclarecimento voltemos ao mundo espiritual. Sendo o mundo primitivo o mundo espiritual é o mundo verdadeiro, é lá onde, como espíritos que somos, nos encontramos em total posse dos conhecimentos, capacidade, defeitos e qualidades que possuímos na realidade, digo na realidade porque na Terra podemos passar imagens falsas sobre quem somos para os outros e até para nós, mas lá não podemos até não querermos ver nossos defeitos, mas eles estão lá e uma hora surgirão pedindo que avancemos para nos melhorarmos.

Sendo o mundo espiritual nossa casa de verdade, como é a vida lá? A vida no mundo espiritual varia ao infinito de acordo com o nível de evolução dos espíritos, suas capacidades, seus interesses e etc. Por exemplo, um espírito de um nível elevado terá ocupações condizentes com sua evolução, então trabalhará sempre em atividades dignas e que tenham por objetivo o bem dele e dos outros. Sim existe trabalho lá e muito mais que na Terra! A obra de Deus jamais se encontra estacionária!
Outro espírito mais inferior também terá ocupações de acordo com seu nível evolutivo e pode desde ficar em casa se intrometendo nos assuntos domésticos (por causa do apego que alimenta) até viver fazendo o mau se for muito inferior, mas estes também se tornarão bons, Deus quer e nenhuma ovelha se perderá!
No Mundo Espiritual existem diversas regiões onde espíritos afins se encontram e entretem os princípios que os une. Os bons vivem em colônias, postos de socorro ou outras regiões superiores onde prevalece o bem, não são perfeitos, mas estão caminhando nessa direção. Os inferiores vivem em regiões de sofrimento ou junto aos familiares, companheiros de vícios e etc.

Os títulos ou as moedas da Terra valem lá? sim, existe uma moeda aceita lá e muito aceita, sua cotação está sempre em alta, é a caridade, mas a caridade verdadeira feita com amor e desinteresse, essa é a única moeda aceita no mundo espiritual, já quanto aos títulos nenhum título terreno possui valor qualquer lá, o maior lá é o que mais serviu aqui, ou seja, que mais foi caridoso para com o próximo amando-o como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas como nos exemplificou Jesus.

Qual a religião que nos garante um melhor lugar nesse mundo? Pela resposta anterior fica fácil saber a resposta à última questão, é isso mesmo que você está pensando: religião nenhuma garante um bom lugar no mundo dos espíritos, pelo menos não por si só. Não é a religião que nos “salva”, mas nossos bons atos e por isso pessoas de todas as religiões podem conseguir um lugar bom no mundo dos espíritos, Deus colocou ao alcance de todos, até mesmo dos sem religião, mas dentre todas o Espiritismo tem uma diferença, uma vantagem, trazendo o Evangelho de Jesus e nos explicando tudo que ele tinha deixado em aberto o Espiritismo nos dá um guia seguro para nossa conduta moral, ao mesmo tempo que nos traz os depoimentos daqueles que já partiram que nos dizem como está suas vidas no mundo espiritual e a causa de sua felicidade ou infelicidade.

Sendo assim meus irmãos vemos que o Mundo Espiritual é todo um universo de vida, de trabalho, de esforço, de evolução onde vemos transbordar o amor de Deus a todos os seus filhos, inclusive os que perseveram no mal, pois estes também serão bons e Deus, nosso Pai de Amor e Misericórdia, os espera como ao filho pródigo da parábola, mas por ser também um Pai de Justiça espera que eles mesmos tenham a iniciativa de procurá-lO e enquanto isso encontram, no Mundo Espiritual, a colheita do que plantaram e vivem em regiões condizentes com suas tendências. Um grande abraço a todos e que Deus nos abençoe sempre e nos inspire a nos tornarmos cada vez melhor.


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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Chegada ao Mundo Espiritual - A Colheita

Ponte no céu.

Ao perguntar que recepção os espíritos teriam no plano espiritual após o desencarne, Kardec obteve a seguinte resposta: "a do justo, como um irmão bem-amado esperado há longo tempo; a do perverso como um ser que se enganou"[1]. Sendo o Mundo Espiritual a nossa verdadeira casa, é lá também a nossa verdadeira vida e por isso lá percebemos as coisas com outros olhos[2], damos outro valor a todas as coisas e por isso é comum o espírito enxergar que se equivocou e chegar ao arrependimento quando analisa as escolhas que fez durante a vida no corpo físico. Os Espíritos Superiores, que possuem uma noção das coisas muito mais clara que a nossa, não enxergam um espírito que fez o mau como um ser inferior, mas apenas como uma alma doente que se equivocou nas escolhas que fez, mas que Deus não desamparará[3].


Em consonância com Jesus, sabemos que cada um receberá conforme as próprias obras (Mateus, 25:31-46) e que será cobrado mais daquele que mais recebeu (Lucas, 12:47-48), mas graças aos esclarecimentos que recebemos da Doutrina Espírita sabemos que essa cobrança é feita pela própria consciência culpada[4] sem a necessidade de um juiz para apontar os pontos em que o espírito errou, pois esse juiz é a própria consciência que o segue aonde ele for. Em contraste com essa situação como é diferente a situação do justo quando chega ao mundo espiritua, como é feliz o reencontro com aqueles que o precederam[5] sem  carregar nada que lhe recrimine na consciência

Tal análise nos leva a termos a consciência de que depende de nós e só de nós a forma como seremos recebidos no mundo espiritual, na Justiça Divina ninguém pode levar o fardo de ninguém nem receberá as glórias pelo trabalho do outro[6]. Ao espírito que errou resta ainda a possibilidade de reparar seus erros através de um arrependimento pró-ativo e não daquele arrependimento que pensa ganhar o céu apenas com palavras que nada dizem ao coração. Nesse ponto Kardec esclarece oportunamente:
"A necessidade de reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar como sendo a verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos. É uma doutrina que nenhuma religião ainda proclamou.
Entretanto, algumas pessoas a repelem, porque achariam mais cômodo poder apagar as suas faltas pelo simples arrependimento, que não custa senão palavras, e com a ajuda de algumas fórmulas; permita-lhes se crerem quites: verão, mais tarde, se isso lhes basta. (...)[7]"
Acredito que Kardec, como sempre, esclareceu muito bem essa questão e espero que esse artigo possa ajudar a quantos tenham ainda dúvidas em relação à Justiça Divina e a chegada dos espíritos no plano espiritual. Assim meus irmãos agradeço pelo carinho e pela atenção e peço-lhes que comentem, façam críticas, tirem dúvidas e façam sugestões, pois a participação de vocês é importantíssima para o crescimento do blog.

Que Jesus abençoe a todos nós hoje e sempre, assim seja!


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Referências:

1. Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. ed. 5. Boa Nova, 2007. Q.287.
2. _____. _____. Q. 241.
3. _____. O Céu e o Inferno. ed. 45. IDE, 2006. Cap. 7. p. 83.
4. _____. O Livro dos Espíritos. ed. 5. Boa Nova, 2007. Q. 965, 970 e 975.
5. _____._____. Q. 289, 290.
6. _____. O Céu e o Inferno. ed. 45. IDE, 2006. Cap. 7. p. 84
7. _____. _____. p. 82 (Nota de rodapé).